Organizações unem sociedade pelo direito à escolha

Conheça as entidades que lutam pela causa do aborto

Texto e foto: Guilherme Almeida 

CLADEM

O Comitê Latino Americano e do Caribe pelas Políticas para a Mulher (CLADEM) é uma das organizações mais importantes na luta pelos direitos das mulheres na América. O grupo tem como objetivo acompanhar e monitorar os tratados internacionais de Direitos Humanos.

O CLADEM tem coordenadorias regionais em 14 países da América e é composta por organizações não governamentais (ONGs), políticos, advogadas e pessoas físicas. O órgão acredita no “direito como ferramenta de escolha”, por isso conta com material para empoderar as integrantes com formação feminista, como explica a advogada e membro do Comitê, Tamara Amoroso Gonçalves. “Nosso trabalho é acompanhar todos os tratados de direitos humanos assinados pelos países e garantir que eles sejam cumpridos”.


CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR

As Católicas pelo Direito de Decidir propõem articular as ideias feministas com os ideais cristãos, buscando aproximar a prática religiosa com a discussão de igualdade de gêneros. O grupo nasceu no Brasil em 1993.

Uma das principais bandeiras é a luta pela descriminalização do aborto nos países da América Latina. Hoje, as Católicas fazem parte da Rede Latino-Americana pelo Direito de Decidir, que atua em 12 países.



GRUPO DE ESTUDOS SOBRE O ABORTO

O Grupo de Estudos sobre o Aborto (GEA) reúne médicos, juristas, psicólogos, biólogos, antropólogos, entre outros profissionais para discutir a descriminalização do aborto no país. Conhecemos o grupo em um seminário no início do ano, voltado apenas para jornalistas, e que tinha como objetivo estimular a divulgação do tema de maneira abrangente na mídia. Para o coordenador do grupo, médico ginecologista e obstetra, Thomaz Rafael Gollop, o tema é pouco tratado pelos veículos de comunicação.

O especialista conta que o GEA nasceu após uma matéria do jornal Folha de São Paulo sobre a atuação da Frente Parlamentar em Defesa da Vida, em 2007. “Havia um pequeno box que dizia que não existia nenhuma entidade civil que se opunha àquelas posições. Então nós decidimos criar um grupo de estudos multidisciplinar, primeiro para estudar de maneira mais ampla a questão do aborto no Brasil e no mundo e, depois, para analisar que medidas foram tomadas pelos países que descriminalizaram a prática”, conta Gollop. Para ele, bons exemplos são Portugal e Uruguai, que recentemente adotaram a legislação em prol da escolha. “São países culturalmente muito próximos ao nosso”, completa.

O GEA foi muito atuante na recente mudança na lei que incluiu os casos de gestação de anencéfalos como permissivos para a interrupção legal da gravidez, em 2012 . “Levamos para os ministros do Supremo um documento sintético e muito objetivo sobre a discussão da anencefalia do ponto de vista médico e jurídico”. Você pode conferir uma entrevista de 2004 para a Revista Isto É, quando o Supremo Tribunal Federal cassou a liminar que permitia a interrupção do aborto nesses casos.


GLOBAL DOCTORS FOR CHOICE

A Global Doctors for Choice (Rede mundial de médicos pela escolha, em tradução livre), é uma rede internacional de médicos que tem como principal motivação defender a saúde e os direitos reprodutivos das mulheres, principalmente em relação à interrupção segura da gravidez. O coordenador geral do grupo, constituído em 2012, no Brasil, é o médico ginecologista Cristião Rosas. Ele falou sobre os aspectos médicos do aborto inseguro para o Um Quinto.
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